R$ 600 milhões: este é o preço para refazer todo o asfalto de Campo Grande

R$ 600 milhões: este é o preço para refazer todo o asfalto de Campo Grande

20/02/2018 0 Por Humberto Marques

Estudo apresentado pela Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos aponta o preço para recuperar o velho, remendado e esburacado pavimento da Capital; prefeito tenta conseguir R$ 200 milhões no BNDES para recapear um terço da cidade.

Há pelo menos três anos os campo-grandenses têm a incômoda companhia de buracos e remendos no asfalto sempre que precisam se deslocar pela cidade. Embora o problema seja constante e mais antigo, esse hiato marca o momento em que a situação se agravou, mesmo com a operação tapa-buracos como forma de tentar mitigar, nem sempre com sucesso, prejuízos à população –graças aos buracos que voltam a cada temporada de chuvas. Anualmente divulgavam-se valores milionários para os reparos, mas, até então, uma pergunta ficava no ar: quanto custa recuperar todo o asfalto de Campo Grande?

Nesta terça-feira (20), a população teve uma resposta, ao menos, aproximada. Durante agendas em Brasília, o prefeito Marquinhos Trad (PSD) apresentou resultado de estudo da Sisep (Secretaria de Infraestrutura e Serviços Públicos) sobre o custo para recapear toda a malha da cidade. Seriam necessários R$ 600 milhões para a empreitada.

O valor é mais de 8 vezes maior que os R$ 70 milhões previstos pelo município em gastos com o serviço de tapa-buracos neste ano –em 2017, o tapa-buracos consumiu pouco mais de R$ 40 milhões para a manutenção de cerca de 2.800 quilômetros de vias pavimentadas, segundo dados que também saíram da Sisep.

O problema é que, de toda essa extensão, em torno de 53% –ou 1.500 quilômetros– precisam de recapeamento. Tratam-se de ruas que foram asfaltadas há mais de 30 anos, o dobro do tempo de vida útil do pavimento –que varia de 10 a 15 anos. Essa “data de validade” explicaria o porquê de muitas ruas, principalmente as mais antigas da cidade, deteriorarem-se cada vez mais com as chuvas.

Marquinhos tenta financiamento de R$ 200 mi para resolver problemas mais urgentes

Contudo, se agora a população consegue visualizar um valor, não pode gerar expectativas de que todo o serviço será realizado. Durante a incursão em Brasília nesta terça, Marquinhos discutiu com a bancada federal a possibilidade de solicitar um empréstimo de R$ 200 milhões para investimentos na malha viária.


Reunião em Brasília tratou da liberação de R$ 200 milhões via financiamento do BNDES para revitalizar asfalto da Capital. (Foto: PMCG/Divulgação)

Reunião em Brasília tratou da liberação de R$ 200 milhões via financiamento do BNDES para revitalizar asfalto da Capital. (Foto: PMCG/Divulgação)

O montante, um terço de tudo o que é preciso para arrumar as ruas asfaltadas da cidade, seria aplicado nas questões consideradas mais urgentes –isso, claro, se for liberado.

Acompanhado de secretários municipais, conforme sua assessoria, Marquinhos pediu aos deputados federais e senadores do Estado empenho para agendarem uma reunião com a cúpula do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) a fim de discutir o empréstimo.

“No ano passado nós gastamos R$ 40 milhões e, neste ano, a previsão é de que a prefeitura invista R$ 70 milhões no tapa-buraco. É um dinheiro que não resolve o problema da nossa cidade”, disse o prefeito durante o encontro, segundo nota da prefeitura.

Recape permitiria ao município se concentrar em questões mais urgentes, diz secretário

Coordenador da bancada federal, o senador Waldemir Moka (MDB) se responsabilizou por marcar a reunião no BNDES. A intenção é verificar se há uma linha de crédito que permita, ao menos, o recapeamento de um terço da cidade.

“O dinheiro do tapa-buraco serve apenas para tapar buraco. Conseguindo recapear, vamos deixar de ter tanto gasto com tapa-buraco e resolveremos as questões mais urgentes”, declarou o titular da Sisep, Rudi Fioresi.

Também participaram da reunião os senadores Simone Tebet (MDB) e Pedro Chaves (PRB) e os deputados federais Dagoberto Nogueira (PDT), Elizeu Dionízio (PSDB), Fábio Trad (PSD), Geraldo Resende (PSDB), Luiz Henrique Mandetta (DEM), Vander Loubet (PT) e Zeca do PT, além do vereador João César Mattogrosso (PSDB), o diretor da Fundação Municipal de Esporte, Rodrigo Terra, o diretor da Emha (Agência Municipal de Habitação), Enéas Carvalho, e a diretora-executiva da Secretaria de Governo da prefeitura, Catiana Sabadin.

Confira as obras em andamento na Capital que prometem solucionar problemas em vias

Se a Prefeitura da Capital não conta no momento com recursos para todo o recapeamento, é bem verdade que vem realizado, dentro da velocidade apontada como possível, a revitalização de algumas ruas importantes na área central e de maior movimento nos bairros.

Recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) permitiram a continuidade da chamada etapa D do Complexo Mata do Jacinto (na região urbana do Prosa), que viabilizou o recapeamento das avenidas Mato Grosso (da avenida Ceará à rotatória com a avenida Hiroshima, na entrada do Parque dos Poderes), da Hiroshima e da Desembargador Leão Neto do Carmo, bem como das ruas Antônio Maria Coelho (da rua Arquiteto Paulo Coelho Machado à Mato Grosso, também no Parque dos Poderes) e Santa Luzia.

Rua Souto Maior, entre o Tijuca e o São Jorge da Lagoa, em novembro de 2017: asfalto deteriorado. (Foto: Humberto Marques)

Dinheiro federal também viabilizou o corredor sudoeste do transporte coletivo. Executado pelo Exército Brasileiro de forma controversa, o serviço atingiu até agora as ruas Guia Lopes e Brilhante, de forma parcial. As vias devem ser concluídas ainda neste ano, enquanto licitações garantirão o recapeamento e construção de pistas expressas de ônibus também nas avenidas Marechal Deodoro e Bandeirantes, ao custo estimado de R$ 24 milhões.

Recursos da União também serão destinados ao Projeto Bálsamo, prevendo o recapeamento da rua Victor Meirelles (Universitário, no Bandeira) e a construção de novas vias; à etapa A do Complexo Nova Lima (no Segredo, prevendo a duplicação e recapeamento da rua Zulmira Borba e melhorias na avenida Marques de Herval e na rua Jerônimo de Albuquerque); e ao Complexo Altos do São Francisco (Nossa Senhora das Graças, Parque dos Laranjais, Altos do São Francisco e Jardim Paquetá).

Prefeitura anuncia recapeamento da Euler e Tamandaré no Complexo Alto São Francisco

Euler de Azevedo receberá recapeamento da Ernesto Geisel até a Presidente Vargas, onde começa obra do governo estadual. (Foto: PMCG/Divulgação)

Euler de Azevedo receberá recapeamento da Ernesto Geisel até a Presidente Vargas, onde começa obra do governo estadual. (Foto: PMCG/Divulgação)

A prefeitura também pretende recapear, neste ano, a avenida Calógeras e a rua Rui Barbosa, no Centro, e anunciou nesta terça-feira que vai executar neste semestre 5,14 quilômetros de recapeamento nas avenidas Euler de Azevedo (3,25 quilômetro, sendo 2,33 em pista dupla, entre as avenidas Ernesto Geisel e Presidente Vargas) e Tamandaré (1,84 quilômetro, da Euler até a rua Tenente Lira).

A obra na Euler e na Tamandaré foi possível por conta da reprogramação de recursos que permitiu a inclusão das vias no projeto Complexo Altos do São Francisco. São investidos R$ 8,2 milhões, sendo R$ 2,85 milhões oriundos da parceria com o governo do Estado –que já realiza a revitalização da Euler de Azevedo da Presidente Vargas até a saída para Rochedo.

Por fim, parceria com a Águas Guariroba visando a recuperar vias como contrapartida por danos que a concessionária de água e esgoto fez ao reparar tubulações pela cidade, já garantiu a recuperação do pavimento das ruas Raul Pires Barbosa e Padre João Crippa (Centro), Yokoama (Santo Amaro) e Pontalina (Universitário).

Além das revitalizações, em 20 de dezembro de 2017, a Prefeitura da Capital aceitou pagar pela operação tapa-buracos, conforme licitação realizada naquele momento –e que, embora as equipes sigam na rua, é alvo de contestação judicial. A prefeitura contratou quatro empresas para executarem a manutenção de vias públicas asfaltadas nas sete regiões urbanas da cidade por R$ 34,2 milhões.