Calor e chuva aumentam riscos de surgimento de focos do Aedes aegypti

Calor e chuva aumentam riscos de surgimento de focos do Aedes aegypti

16/10/2018 0 Por Humberto Marques

Capital registra o menor número de casos de dengue em dois anos, mas mudanças climáticas favorecem a reprodução do mosquito transmissor da doença, da chikungunya e zika.

Mudanças bruscas no clima, ventos, calor e chuva. Muita chuva. O início de outubro registrou temporais que causaram prejuízos em diversas regiões de Mato Grosso do Sul e Campo Grande e, junto consigo, carregam outras ameaças que podem ser percebidas só daqui a alguns meses, quando for tarde demais: poças e materiais juntando água parada servem de convite para o mosquito Aedes aegypti se procriar e, com o tempo, espalhar casos de dengue, zika vírus e febre chikungunya.

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A Prefeitura de Campo Grande emitiu nesta sexta-feira (16) alerta para que a população redobre os cuidados quanto à proliferação do Aedes, diante do aparecimento de mais potenciais criadouros do inseto. Mesmo com o número de notificações ser, em 2018, o menor dos últimos dois anos, aponta-se a necessidade de cautela.

Segundo o coordenador de Controle de Endemias Vetoriais (CCEV), Eliasze Guimarães, dois fatores são propícios para aumentar os casos de doenças transmitidas pelo Aedes.

“Além da chuva que está prevista para cair na Capital nos próximos dias, a temperatura também está elevada. Esses são duas condicionantes que aceleram o desenvolvimento do mosquito, pois aumenta a oferta de criadouros e os ovos eclodem rapidamente com as altas temperaturas”, explicou ele, via assessoria.

Capital já teve 979 casos confirmados de dengue apenas neste ano

Até o mês de setembro deste ano foram notificados em Campo Grande 1.540 casos de dengue, sendo 979 confirmados, enquanto em 2017 foram 2.359 notificações.


Com chuva e calor, população deve dobrar cautela quanto a locais que podem acumular água e servir de criadouro para o Aedes aegypti. (Foto: PMCG/Divulgação)

Com chuva e calor, população deve dobrar cautela quanto a locais que podem acumular água e servir de criadouro para o Aedes aegypti. (Foto: PMCG/Divulgação)

“Mesmo com o número de casos menores do que o ano anterior, a população não pode descuidar, precisa estar atenta e eliminar os focos de criadouros do mosquito antes que o período chuvoso comece”, enfatizou Eliasze.

A prefeitura pede que a população fique atenta a locais que possam acumular água, como bandejas de ar-condicionado, calhas (principalmente no período após o inverno, elas acumulam muitas folhas), pneus velhos, caixas d’água destampadas, garrafas, vasos de flor e também recipientes jogados em lixo descoberto.

A inspeção em casa deve ser um hábito semanal do morador, que precisa olhar e ficar atento aos locais menos óbvios que podem ser criadouros. “Até mesmo a vasilha de água dos cães e gatos precisa ser limpa periodicamente para evitar que o mosquito se desenvolva ali. Os quintais devem ser inspecionados frequentemente, pois nestes locais há muitos recipientes que podem acumular água”, afirma Eliasze.

“A Sesau está fazendo a parte que cabe ao poder público, com a intensificação das visitas domiciliares e nebulização com o ‘fumacê’, mas a população precisa apresentar mudança de hábitos, pois 80% dos criadouros do mosquito estão dentro das residências”, disse.

Confira alguns sintomas e características das doenças transmitidas pelo Aedes

  • Dengue: pessoas infectadas com o vírus pela segunda vez têm um risco significativamente maior de desenvolver doença grave. Os sintomas são febre alta, erupções cutâneas e dores musculares e articulares. Em casos graves, há hemorragia intensa e choque hemorrágico (quando uma pessoa perde mais de 20% do sangue ou fluido corporal), o que pode ser fatal.
  • Chikungunya: os sintomas geralmente aparecem depois de uma semana de infecção. Febre e dor nas articulações surgem subitamente. Dor muscular, dor de cabeça, fadiga e erupção também podem ocorrer.
  • Zika: na maioria dos casos, não há nenhum sintoma. Em alguns casos, o zika pode provocar paralisia (síndrome de Guillain-Barré). Em gestantes, pode causar defeitos congênitos subsequentes. Quando presentes, os sintomas são leves e duram menos de uma semana. Eles incluem febre, erupção cutânea, dor nas articulações e olhos vermelhos.

(Com assessoria)