Prefeitura realiza desocupações no Aero Rancho e no Tarumã e confirma construção de 1.072 moradias

ONG que não operava desde 2017 e casal de idosos deixaram áreas nos bairros; Capital ainda construirá habitações no Sírio Libanês, mas perde apartamentos no Sumatra e no Jardim Inápolis.

Em um intervalo de cinco dias, a Prefeitura de Campo Grande providenciou a desocupação de três grandes áreas nos bairros Jardim Aero Rancho (Anhanduizinho) e no Parque das Laranjeiras, no Tarumã (Lagoa), que darão lugar a casas populares do programa Minha Casa, Minha Vida. As ações foram realizadas entre 3 e 7 de fevereiro, vieram com a promessa de minimizar prejuízos para os removidos e criam a expectativa de atender mais de mil famílias com habitações.

Em 3 de fevereiro (um sábado), equipes da prefeitura estiveram em uma área delimitada pelas avenidas Vereador Thyrson de Almeida e Graciliano Ramos e a rua Globo de Ouro, antes cedida à ONG Dignidade e Vida, para providenciar a saída da instituição do local. Somente ali serão erguidos 448 apartamentos em dois projetos.

A entidade não-governamental estava inoperante desde o fim de 2017. De seus galpões, foram retirados alimentos vencidos, enquanto mobiliário e outros pertences foram armazenados em um depósito na antiga rodoviária, onde antes funcionava a base da Guarda Municipal.

Em 7 de fevereiro (quarta-feira), um casal de idosos foi removido de uma área delimitada pelas ruas Zona Sul e a Marginal Lagoa, no Parque das Laranjeiras –“fundos” do Tarumã. Otaviano Justino Pereira, 76, e a mulher, foram provisoriamente alocados em uma casa do advogado do casal –que lutava na Justiça pela posse do imóvel, mas fechou acordo com a Emha e, agora, será transferido para uma propriedade a ser demarcada no Indubrasil.

Confirmação sobre unidades habitacionais exclui projetos para o Sumatra e o Jardim Inápolis

Na mesma quarta-feira, a Agência de Habitação entregou à Caixa Econômica Federal toda a documentação para a construção das moradias. Dentro do projeto, porém, foi excluída uma área no Jardim Sumatra (Anhanduizinho, próximo ao Los Angeles).


Área limitada entre as avenidas Thyrson de Almeida (prolongamento da Ernesto Geisel) e Graciliano Ramos e a rua Globo de Ouro, no Aero Rancho, receberá 448 apartamentos. (Imagem: Google Maps/Reprodução)
Área limitada entre as avenidas Thyrson de Almeida (prolongamento da Ernesto Geisel) e Graciliano Ramos e a rua Globo de Ouro, no Aero Rancho, receberá 448 apartamentos. (Imagem: Google Maps/Reprodução)

Também não houve confirmação sobre a construção de 66 apartamentos no Jardim Inápolis (Imbirussu). Com isso, foram 162 habitações das 1.234 anunciadas no início de novembro de 2017.

Foram garantidos para Campo Grande 1.072 apartamentos dentro do Minha Casa, Minha Vida. Além do Aero Rancho e do Tarumã, devem ser construídas 256 unidades no Sírio-Libanês 1 e 2 (Imbirussu). Juntos, esses residenciais devem contemplar mais de 4 mil pessoas.

Prefeitura investigará R$ 21 milhões no projeto, que terá mais R$ 19 mi em recursos estaduais

A Emha exaltou o fato de ter cumprido o prazo abreviado pelo governo federal para garantia das habitações, que foi reduzido de 180 dias para apenas 30, em dezembro.

A construção envolverá contrapartidas de R$ 21 milhões da Prefeitura de Campo Grande e outros R$ 19 milhões do governo do Estado.

“Em parceria com a Prefeitura de Campo Grande, reivindiquei a inclusão da nossa Capital e de Mato Grosso do Sul na seleção de novas moradias para nossa região, para diminuirmos o déficit habitacional”, lembrou o governador Reinaldo Azambuja (PSDB), que discutiu o projeto com o ministro Alexandre Baldy (Cidades).

“Agora, não tenho dúvidas de que fomos contemplados com projetos de qualidade, para que nossa população seja beneficiada com moradias dignas”, prosseguiu o governador.

“A aprovação de mais de mil moradias em tempo hábil é a prova de que, com muito trabalho e dedicação, podemos fazer muito mais”, afirmou, via assessoria, o prefeito Marquinhos Trad (PSD).

No Parque das Laranjeiras, aos fundos do Tarumã, serão construídas 368 habitações em área limitada pela Marginal Lagoa e a rua Zona Sul. (Imagem: Google Maps/Reprodução)
No Parque das Laranjeiras, aos fundos do Tarumã, serão construídas 368 habitações em área limitada pela Marginal Lagoa e a rua Zona Sul. (Imagem: Google Maps/Reprodução)

Enéas Netto, diretor-presidente da Emha, por sua vez, exaltou que diferentes setores da administração municipal se envolveram para garantir as habitações.

“Em 30 dias realizamos remoções, desocupações, demolições, remembramento e desdobro das áreas. Nossa obrigação é reduzir o déficit habitacional de mais de 42 mil pessoas que aguardam a oportunidade da moradia social, há cinco anos paralisada na Capital”, explicou o diretor de Habitação da Emha, Gabriel Gonçalves.

Apenas 10% das cidades que pediram recursos entregaram documentação necessária

Governo federal, com contrapartidas da Prefeitura de Campo Grande e do governo do Estado, construíra mais de mil apartamentos em Campo Grande. (Foto: PMCG/Divulgação)
Governo federal, com contrapartidas da Prefeitura de Campo Grande e do governo do Estado, construíra mais de mil apartamentos em Campo Grande. (Foto: PMCG/Divulgação)

A Superintendência de Habitação da Caixa informou que apenas 10% dos municípios pré-selecionados para receber habitações do Minha Casa, Minha Vida na modalidade FAR (Fundo de Arrendamento Residencial) Faixa 1, que atende a famílias com renda de até R$ 1.800, cumpriu o prazo para entrega da documentação.

Municípios que não conseguiram provar que as áreas eram públicas, desimpedidas de processos judiciais e livres de invasões ou ocupações, perderam recursos federais para a construção de moradias de interesse social.

loading...

Humberto Marques

Jornalista, é diretor-geral e editor do jornal Comunidade.MS

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *