Incêndio que deixou bebê ferida alerta para importância de manutenção em rede elétrica

Incêndio que deixou bebê ferida alerta para importância de manutenção em rede elétrica

15/07/2018 0 Por Humberto Marques

MS é o terceiro Estado do país em número de incêndios causados por falta de cuidados com a rede elétrica; criança de 10 meses sofreu queimaduras.

Incêndio que destruiu um imóvel no Parque do Lageado –na região do Anhanduizinho, em Campo Grande– e deixou uma bebê de 10 meses com sérias queimaduras serviu de alerta para que tal quadro não volte a se repetir na cidade. O fogo no início teria sido causado por um curto-circuito, sendo que Mato Grosso do Sul é o terceiro Estado do país em número de incêndios causados por falta de manutenção ou reparos mal feitos na rede elétrica.

Só no ano passado foram 37 incêndios causados por curtos-circuitos, segundo informações da Abrapecol (Associação Brasileira de Conscientização para os Perigos da Eletricidade), em seu anuário estatístico. Para a coordenadora de Engenharia Elétrica do Centro Universitário Anhanguera de Campo Grande, Marcela Onizuka, os dados alertam para a necessidade de vistoria periódica na rede doméstica.

“Na maioria das vezes, o curto-circuito é resultado de uma sobrecarga que acaba gerando um superaquecimento e derrete a proteção dos fios. Desencapados, eles podem encostar um no outro e produzir faíscas, dando início a chamas”, destacou ela, via assessoria.

Outro alerta destacado pela engenheira eletricista é que toda a instalação elétrica de uma casa deve ser realizada por profissionais qualificados. “Esse trabalho não deve ser executado por amadores para não colocar a segurança dos moradores em risco. Um projeto de elétrica residencial possui um circuito de proteção dimensionado, com diversos recursos, como disjuntores ou fusíveis, que desligam em sinal de sobrecarga”, complementa a professora.

Ela afirma que imóveis antigos merecem atenção redobrada, pois as instalações não foram preparadas para receber tantos eletrônicos como é comum atualmente. “Pode haver uma sobrecarga, curtos-circuitos e acidentes elétricos, pois na época em que foi instalado, o projeto não previa o uso de tantos equipamentos modernos, como computadores, celulares, entre outros produtos”.


A mestra em Engenharia Elétrica compartilha outras recomendações sobre o assunto:

  • Tomadas – O uso de benjamins, adaptadores e réguas para conectar diversos aparelhos ao mesmo tempo pode sobrecarregar a capacidade do ponto de acesso de energia e sua fiação interna. Verifique, também, se a tomada possui manchas pretas ou algum sinal de queimado. Isso é um forte alerta de que pode haver sobrecarga no local.
    Vale lembrar, ainda, que nessa época de férias, com mais pessoas em casa, o número de equipamentos eletrônicos conectados em mesmo ponto pode aumentar, por isso, fique atento e tente evitar essa situação.
  • Disjuntor – Com a finalidade de proteger uma instalação elétrica, esse componente de painéis de distribuição de energia residencial desarma automaticamente quando há sobrecarga. Se isso acontece constantemente em sua casa, é sinal que algo está errado e precisa de averiguação de um profissional.
    Jamais substitua o disjuntor por uma versão de maior capacidade sem que haja reestruturação de todo o circuito.
  • Fios – Confira se há cabos de energia com a parte interna exposta (sem isolamento) ou em más condições. Sem proteção, o fio desencapado pode representar um perigo de acidente ou choque. Preste atenção, também, se há algum aquecimento ou parte derretida.
    Caso o problema tenha sido encontrado, procure um profissional especializado, pois a fiação deve ser trocada. Nunca utilize equipamentos que apresentem qualquer defeito no cabo.
  • Chuveiro – Antes da instalação, o principal cuidado é checar se o fio que passa pela parede está de acordo com a potência do equipamento.
    “Faça uma revisão completa em casa para conferir o estado dos fios, tomadas e lâmpadas. Antes de um acidente acontecer, na maioria dos casos, sempre há sinais de que algo está errado, como cheiro de queimado ou disjuntor desarmando. Por isso, a manutenção rede elétrica é de extrema importância”, conclui Marcela Onizuka.

Bebê de 10 meses sofreu queimaduras de 1º e 2º grau, campanha ajuda família

A bebê de 10 meses que foi internada na Santa Casa de Campo Grande em 10 de julho com queimaduras de 1º e 2º graus e intoxicação por ter inalado fumaça. Mesmo com a gravidade dos ferimentos, seu quadro era considerado estável.

Além dela, seis crianças sofreram intoxicação por fumaça, mas foram atendidas na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Vila Almeida.

Todos viviam em uma casa na rua Elídio Pinheiro. Vizinhos disseram terem acordado com os gritos as crianças e foram ajudar a combater o fogo. A estrutura da casa foi comprometida, havendo inclusive desabamento do teto.

Lucimara Cristina de Arruda Pinto, 26, mãe da bebê, afirma que a recuperação das crianças foi boa. Após a tragédia, ela recebeu várias doações da população para recomeçar a vida. A família, que segue na casa de uma parente também no Lageado (na rua Francisca Gonçalves Figueiredo, 292), recebeu apoio pelos telefones (67) 99245-4624 ou (67) 99974-6434.