Quase 6 meses depois de licitação, obras na Ernesto Geisel e no rio Anhanduí têm início

Quase 6 meses depois de licitação, obras na Ernesto Geisel e no rio Anhanduí têm início

12/04/2018 0 Por Humberto Marques

Empreiteiras que venceram o certame começam a preparar acesso de máquinas que serão usadas na recuperação do leito e margens do rio. Obra inclui ainda recapeamento da avenida Ernesto Geisel e construção de ciclovia.

Quase um ano depois de o jornal Comunidade.MS mostrar as expectativas da população ao longo da avenida Ernesto Geisel com a possibilidade de revitalização da via e do rio Anhanduí, e cerca de sete anos depois de o projeto ter sido anunciado pelo poder público, as obras de melhorias no trecho da Norte-Sul tiveram início nesta quarta-feira (11). A expectativa, agora, é de que em 18 meses estejam finalmente solucionados problemas de tráfego e com as enchentes em bairros como o Marcos Roberto, Jacy, Nhanhá e Taquarussu, no Anhanduizinho. A licitação foi finalizada em outubro do ano passado.

Conforme noticiado pela assessoria da Prefeitura de Campo Grande, neste momento as empreiteiras que vão atuar nos três trechos licitados da obra começam a preparar o local para o acesso das máquinas pesadas. Retroescavadeiras abriram passagens na região da rua do Aquário, próximo ao Guanandizão, para permitir a chegada das equipes ao leito do rio Anhanduí.

Redimensionada por problemas de ordem financeira, as obras na Ernesto Geisel, que inicialmente se esperava chegar até a avenida Campestre e contemplar também a avenida Vereador Thyrson de Almeida (prolongamento da via), no Centenário, ficaram restritas a um trecho de cerca de 2,5 quilômetros entre as ruas Santa Adélia e do Aquário.

Serão investidos R$ 48,4 milhões nas frentes de obras, que vão beneficiar também moradores do Jockey Clube, Jardim Paulista e Vila Progresso, graças à interligação com redes de drenagem que vão reduzir os efeitos das enxurradas e alagamentos em épocas de chuvas nesses bairros.

Obra inclui recomposição das margens do rio, instalação de ciclovia e recapeamento de avenida

As intervenções envolvem a recomposição das margens do rio Anhanduí, desgastadas com a erosão, por meio da implantação de gabião e placas de concreto; bem como bocas de lobo para captar as águas que vêm de ruas laterais.


Maquinário de empreiteiras começa a abrir acesso para obras no rio Anhanduí e na Ernesto Geisel. (Foto: PMCG/Divulgação)

Maquinário de empreiteiras começa a abrir acesso para obras no rio Anhanduí e na Ernesto Geisel. (Foto: PMCG/Divulgação)

A promessa da obra é de impacto não apenas no tráfego e na infraestrutura, mas também no paisagismo da região. Está prevista a urbanização por meio da construção de uma ciclovia paralela ao rio e do recapeamento de 4,8 quilômetros da Ernesto Geisel –2,4 quilômetros em cada pista.

As obras serão executadas pela Dreno Construção, do Paraná, e da Gimma Engenharia Ltda., de Minas Gerais, que venceram licitação convocada em junho do ano passado e teve o resultado divulgado em outubro –da qual participaram 34 empresas concorrentes.

A administração do prefeito Marquinhos Trad (PSD) comemora o fato de o certame ter reduzido em 15,5% o preço final da obra, inicialmente orçado em R$ 56,1 milhões. Na prática, a economia prevista é de R$ 7,62 milhões, que ajudou a reduzir a contrapartida da prefeitura na obra, que caiu de R$ 9,1 milhões para R$ 4,8 milhões –sendo que R$ 900 mil foram assegurados graças a parceria com o governo do Estado, que repassou o valor.

A Gimma venceu o primeiro lote, entre as ruas Santa Adélia e Abolição, com proposta de R$ 13,1 milhões. A Dreno arrematou os lotes 2 (da Abolição à Bom Sucesso), por R$ 13,4 milhões, e 3 (Bom Sucesso à rua do Aquário), por R$ 21,9 milhões.

Anunciado em 2011, projeto patinou desde então e precisou ser redimensionado

O projeto para o rio Anhanduí data de 2011. No ano seguinte, duas licitações e uma ordem de serviço foram canceladas. Já em 2014, durante a gestão de Gilmar Olarte, uma nova tentativa de licitar o serviço fracassou: naquele momento, foi estimado em R$ 68 milhões a execução do serviço até a avenida Campestre, com contrapartida de R$ 28 milhões da prefeitura.

A atualização das planilhas do projeto original resultou em ajustes. Assim, o recurso que havia sido garantido em 2012 junto ao Ministério das Cidades, na ordem de R$ 42,7 milhões em valores atualizados, será suficiente apenas para as obras entre a Santa Adélia e a rua do Aquário –também por conta da capacidade do Paço Municipal em arcar com a contrapartida.

No entorno do trecho contemplado com as obras, porém, a sensação ainda é de desconfiança, diante da demora em se concretizar o projeto que sinaliza ser iniciado. Moradores ouvidos pelo Comunidade.MS esperam que as obras resolvam também o problema com a criminalidade na região, uma vez que o mato no leito do rio Anhanduí e o espaço sob viadutos e em galerias pluviais é usado por pessoas acusadas de diferentes crimes na região.

A obra ajudará no controle de enchentes nos bairros Marcos Roberto, Jockey Clube, Jardim Paulista e Vila Progresso, onde foram investidos R$ 26 milhões em rede de drenagem e intervenções nos córregos Cabaça e Areias, afluentes do Anhanduí.