Obras no rio Anhanduí passam no primeiro test drive e resistem a chuvaradas

Obras no rio Anhanduí passam no primeiro test drive e resistem a chuvaradas

23/11/2018 0 Por Humberto Marques

Prefeitura afirma que obras ao longo da avenida Ernesto Geisel, que vão até 2020, já ajudaram na vazão de águas pluviais na região.

Uma das maiores intervenções urbanas em andamento em Campo Grande no momento, a revitalização do rio Anhanduí, ao longo da avenida Ernesto Geisel –entre o Taquarussu e o Jardim Nhanhá, no Anhanduizinho– resistiram à primeira grande prova de fogo, ou melhor, de água: as fortes chuvas que atingiram a cidade no fim de novembro não causaram danos nas estruturas construídas até aqui, além de ajudarem na vazão de águas pluviais.

O ponto de maior visibilidade das obras está no cruzamento da Ernesto Geisel com a rua Santa Adélia, em frente ao Shopping Norte-Sul Plaza. Ali, as paredes de gabião já vão do leito do rio até a pista da avenida, ajudando a suportar margens desgastadas ao longo de anos por enxurradas. Partes da pista que haviam sido interditados devido a desmoronamentos foram recuperados.

O mesmo ocorre em trechos da avenida na região do Jockey Clube e da Vila Jacy, onde foram necessárias construções de pistas de acesso para veículos pesados invadirem o leito do Anhanduí. A paisagem começa a se modificar, indo além dos tapumes de ferro usados para proteger pedestres. Contudo, as interdições na via continuam.

A expectativa é de que as obras vão avançar até 2020, quando o último lote –entre as ruas da Abolição e Bom Sucesso– será concluído. A promessa é entregar margens urbanizadas e uma ciclovia, além de um novo asfalto em cerca de dois quilômetros da Ernesto Geisel, nas duas pistas entre a Santa Adélia e a rua do Aquário.

Obras de revitalização em outubro, antes das chuvas, já avançaram em bom ritmo. (Foto: Edemir Rodrigues/Subcom/Arquivo)

Obras de revitalização em outubro, antes das chuvas, já avançaram em bom ritmo. (Foto: Edemir Rodrigues/Subcom/Arquivo)


Segundo a Sisep (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos), foram implantados 34,13% das paredes de gabião no trajeto onde haverá interdição. Isso representa 8,4 mil metros dos 24,6 mil projetados. Em alguns locais, o paredão terá 8,5 metros de altura e dez degraus, garantindo suporte às águas de chuvas que chegam ao rio por meio da rede pluvial ou de seus afluentes –os córregos Prosa e Segredo.

Os barrancos ainda receberão 4,49 mil metros de manta geotêxtil, dos quais 3,1 mil já foram instalados. O material, de poliéster, é instalado atrás das paredes de gabião para reforçar a proteção das margens e evitando o aparecimento de novas erosões. A obra também já conta com mais de 8 mil metros de muros de concreto armado dos 20,9 mil a serem instalados.

Obra foi retomada gerando expectativas na população após mais de 20 anos de espera

A obra sai do papel cinco anos após seu último anúncio, sendo que moradores ao longo da avenida Ernesto Geisel aguardavam há mais de 20 anos sua realização. Em 2017, gestões junto ao Ministério das Cidades garantiram a recuperação dos recursos, de R$ 48,4 milhões. O montante, porém, é insuficiente para o projeto anterior que chegou a ser licitado na gestão de Gilmar Olarte –e não avançou– sendo necessária a revisão.

Parede de gabião em frente ao Norte-Sul; estrutura no rio Anhanduí terá até 8,5 metros de altura. (Foto: PMCG/Divulgação)

Parede de gabião em frente ao Norte-Sul; estrutura no rio Anhanduí terá até 8,5 metros de altura. (Foto: PMCG/Divulgação)

Até então, o conjunto viário e de revitalização do rio se estenderia até a avenida Campestre, no Centenário –onde acaba a Norte-Sul. A redução do trajeto não atingiu outra parte crucial da obra, que envolve a interligações com redes pluviais visando ao fim de alagamentos nos bairros Marcos Roberto, Jockey Clube, Jardim Paulista e Vila Progresso –os dois últimos na região do Bandeira.

As ações contemplam, ainda, intervenções para recomposição das margens do Anhanduí e no leito, com soleiras (degraus usados pare reduzir a velocidade da água e, assim, reter areia arrastada nas enxurradas, impedindo o assoreamento).

O problema com enxurradas na região da obra, de fato, foi sentido em menores proporções que em temporais anteriores. Contudo, trechos da Norte-Sul –como se chama o complexo viário que abrange as avenidas Ernesto Geisel, Vereador Thyrson de Almeida (no trecho Sul, rumo ao Aero Rancho e o Centenário) e Prefeito Heráclito Diniz de Figueiredo (trecho norte, rumo à Mata do Segredo e ao Coronel Antonino)– na região do São Francisco e no Centro continuam a registrar cheias, demandando ações locais.