Prefeitura busca R$ 15 milhões em Brasília para salvar região da Rodoviária Velha

Prefeitura busca R$ 15 milhões em Brasília para salvar região da Rodoviária Velha

04/11/2018 0 Por Humberto Marques

Dinheiro seria usado em projeto para requalificar o antigo Terminal Rodoviário Heitor Laburu, tomado pelo abandono e colocado à margem da Capital.

Um dos problemas econômicos e sociais mais visíveis de Campo Grande está bem à vista de todos, no Centro da cidade. A Rodoviária Velha, localizada entre as ruas Dom Aquino, Vasconcelos Fernandes, Barão do Rio Branco e Joaquim Nabuco, tornou-se um impasse para diferentes administrações municipais diante de uma correta destinação para a região, a fim de reaquecer empresas e dar mais segurança aos vizinhos da região, que hoje convivem com vários estabelecimentos comerciais fechados e vários moradores de rua.

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Principal porta de entrada de Campo Grande por décadas, o Terminal Rodoviário Heitor Eduardo Laburu também foi um dos mais importantes complexos comerciais da cidade: além de lojas de diferentes segmentos, lanchonetes e restaurantes e até mesmo dois cinemas –Cine Center e Cine Plaza–, o local também abrigava serviços públicos, incluindo uma agência de empregos.

Em um dos lados, na Joaquim Nabuco, a chegada e saída de ônibus de outras cidades, Estados e até do exterior garantia movimentação constante de pessoas. Do outro, o terminal de transbordo central eram ponto de parada de muitos dos “amarelinhos”, ônibus que faziam a interligação direta entre bairros e o centro.

Com o tempo, e graças ao aparecimento de outros complexos comerciais –caso do Shopping Campo Grande–, o Heitor Laburu foi perdendo prestígio. Contudo, foi com a construção do Terminal Rodoviário Senador Antônio Mendes Canale, no Universitário (Bandeira), que teve início a decadência da Rodoviária Velha. Problemas antes existentes na região, como a presença de usuários de drogas e da prostituição, saltaram aos olhos, agora sem as multidões que por ali circulavam. Algo que se agravou com a retirada do terminal de ônibus urbano, considerado “desnecessário” diante de uma nova logística planejada para o setor.

Projeto para a região da Rodoviária Velha, em Campo Grande, nova tentativa para tentar revitalizar região histórica de Campo Grande. (Foto: PMCG/Divulgação)

Projeto para a região da Rodoviária Velha, em Campo Grande, nova tentativa para tentar revitalizar região histórica de Campo Grande. (Foto: PMCG/Divulgação)


O poder público buscou alternativas para o antigo prédio: a instalação de uma universidade foi ventilada, bem como a transferência da Câmara Municipal para o local –propostas que esbarraram em resistências do setor empresarial e da própria classe política. Da mesma forma, o setor cultural tentou, em algumas oportunidades, dar nova vida para os corredores do complexo, também sem muito sucesso.

A Rodoviária Velha se tornou também destino dos “lancheiros”, donos de trailers que, por décadas, atuaram na quadra da avenida Afonso Pena entre a Ernesto Geisel e a avenida Noroeste. Com a revitalização da via, o antigo terminal de transbordo no Heitor Laburu se tornou a alternativa a ser ocupada –anote-se com ampla resistência no início.

Uma das últimas investidas do setor público no local envolveu a instalação da base da então Guarda Municipal –hoje Polícia Municipal–, mas também foi deixada de lado diante da precariedade das instalações, havendo necessidade de investimento alto para a manutenção da corporação no prédio. Sem os guardas, problemas com a segurança voltaram a piorar.

Na última semana, o prefeito Marquinhos Trad (PSD) foi a Brasília em busca de R$ 15,5 milhões para o projeto de requalificação da área pública do Terminal Rodoviário Heitor Eduardo Laburu. Sem dar muitos detalhes, a administração municipal afirma que a intenção é preservar um “importante patrimônio público de Campo Grande, colocando-o em conexão com as iniciativas em execução do Programa de Desenvolvimento Integrado de Campo Grande, em especial com a requalificação da rua 14 de Julho”.

A intenção com o projeto, prosseguiu a prefeitura, por meio de nota, é contribuir para o estímulo à concentração de atividades econômicas, sociais e de circulação no entorno da Rodoviária Velha, “bem como atrair novos serviços de vizinhança e oportunidades de trabalho, emprego e renda”.

No início de 2017, pouco depois de assumir a administração da Capital, Marquinhos admitiu usar a parte da Rodoviária Velha que pertence ao poder público –que inclui salas no andar superior onde já funcionou, por exemplo, Agência Pública de Empregos– para abrigar a Secretaria Municipal de Segurança e Defesa Social e a Fundação Municipal de Cultura. Os projetos, porém, não avançaram até o momento, não havendo também indícios de que foram mantidos ou sofreram alguma alteração.

Enquanto isso, os poucos comerciantes que sobrevivem no Heitor Laburu aguardam um destino para o Centro Comercial, esperançosos de que, senão voltarem a viver os melhores dias do passado, que ao menos tenham ali a garantia de seu sustento e, possivelmente, da geração de empregos.