Prefeitura busca US$ 82 mi para levar revitalização do Anhanduí até o Centenário

Prefeitura busca US$ 82 mi para levar revitalização do Anhanduí até o Centenário

28/02/2019 0 Por Humberto Marques

Recurso inclui melhorias no rio e na avenida Vereador Thyrson de Almeida até a avenida Campestre, bem como outras obras contra enchentes

A Prefeitura de Campo Grande depende da captação de US$ 82 milhões para viabilizar obras previstas no Programa de Desenvolvimento Sustentável de Campo Grande, destinadas ao controle de enchentes. Os projetos, apresentados em Brasília, contemplam a construção de bacias de detenção e barragens de amortecimento; drenagem e pavimentação; bem como a continuidade das obras de revitalização do Anhanduí, chegando até a avenida Campestre –no Jardim Centenário, no Anhanduizinho– e abrangendo a requalificação (reforço da drenagem e recapeamento) desta via e das avenidas Manoel da Costa Lima e Ernesto Geisel (entre as avenidas Salgado Filho e Mascarenhas de Moraes), além da rua Antônio Maria Coelho.

As obras na Norte-Sul até a Campestre estavam previstas no projeto original para a revitalização do Anhanduí, em orçamento estimado em US$ 60 milhões –envolvendo a via desde a Salgado Filho– na gestão do ex-prefeito Gilmar Olarte. No entanto, em meio a dificuldades financeiras, o projeto foi redimensionado entre as ruas Santa Adélia e do Aquário, do Taquarussu ao Jardim Nhanhá (Anhanduizinho, a alguns metros da avenida Manoel da Costa Lima), com custo reduzido para R$ 47 milhões.

No projeto para a rede de drenagem da Capital, as represas e bacias de amortecimento previstas estão orçadas em US$ 13,3 milhões. Elas terão capacidade para reter 204 milhões de litros de águas pluviais, evitando que os córregos Prosa, Segredo, Sóter e Imbirussu transbordem, provocando alagamentos como os registrados nesta terça-feira (26), quando choveu mais de 106 milímetros, levando caos a diferentes regiões da Capital.

Na Bacia do Prosa, o projeto prevê uma bacia de detenção com capacidade para 5 milhões de litros, que seria construída no Córrego Vendas (entre as ruas dos Vendas e a Rua Antônio Oliveira Lima, no Bela Vista). Está prevista uma bacia de amortecimento no Córrego Sóter (entre as Ruas Antônio Rahe e Rio Negro), com capacidade para 56 milhões de litros.

Obras no rio Anhanduí; intenção é estender recuperação até a avenida Campestre, no Centenário. (Foto: PMCG/Divulgação/Arquivo)

Obras no rio Anhanduí; intenção é estender recuperação até a avenida Campestre, no Centenário. (Foto: PMCG/Divulgação/Arquivo)


Na Bacia do Segredo, a previsão é a construção de outra com 55 milhões de litros, entre as Ruas das Balsas e Verediana, no Gabura, e uma bacia de detenção off-line no Córrego Cascudo, para 15 milhões de litros, entre as ruas Pio Rojas e São Leopoldo (Monte Castelo).

No Córrego Imbirussu, entre a rua Nipoã e a avenida Florestal (Santo Amaro), está programada uma barragem com capacidade para 28 milhões de litros para desempenhar dupla contenção de cheias e retenção de sedimentos. No Córrego Serradinho, que é da mesma bacia hidrográfica, é necessário a construção de uma barragem de amortecimento entre as ruas Petrolândia e Dona Paula Mariana (Silvia Regina), com capacidade para 45 milhões de litros.

O secretário-adjunto de Infraestrutura e Serviços Públicos, Ariel Serra, avalia que os alagamentos refletem o processo de urbanização acelerada que a cidade experimentou nos últimos 20 anos. Ele cita como exemplo a avenida Rachid Neder, aberta ainda nos anos 90.

“Ali passa o Córrego Cascudo, que foi canalizado com uma tubulação de 1,20 metro de diâmetro. Com o adensamento da região, abertura de Ruas, construção de edifícios, a tubulação não consegue mais escoar toda a enxurrada, que acaba vindo para superfície, alagando e destruindo o pavimento, além de pressionar a vazão do Segredo, exatamente na rotatória com a Ernesto Geisel, onde tem transbordado. A solução é construir um piscinão mais acima para retardar a chegada desta água no Segredo. Não é um projeto simples, já que será preciso R$ 1,2 milhão só na desapropriação da área onde a bacia de detenção seria construída”, detalhou.

Obras previstas

Segundo o secretário de Infraestrutura e Serviços Públicos, Rudi Fiorese, enquanto os recursos não são viabilizados, a prefeitura tem feito investimentos em obras de drenagem e controle de enchentes. Já foi construída uma represa com capacidade para 22 milhões de litros na Praça das Águas (Bacia do Prosa) e estão em andamento a revitalização do primeiro trecho do rio Anhanduí.

Córrego Prosa, em nível normal; curso d’água foi coberto durante chuva da terça-feira. (Foto: PMCG/Divulgação)

Córrego Prosa, em nível normal; curso d’água foi coberto durante chuva da terça-feira. (Foto: PMCG/Divulgação)

Com recursos do PAC Pavimentação, foram implantados mais de 30 quilômetros de drenagem em regiões como o Nova Lima, Altos do São Francisco e entorno do Parque dos Poderes. Nesta região, altos da avenida Mato Grosso, será feito um canal para interligar a tubulação, com a travessia de tubo armco sob a Avenida Mato Grosso, para desaguar o Córrego Reveillon, sem os sedimentos, que acabam agravando o assoreamento do lago do Parque das Nações.

Esse assoreamento, segundo os engenheiros da Sisep, contribui para os alagamentos na região da Via Park.

Ainda no mês de março, serão iniciadas as obras de controle da erosão no Córrego Gameleira, além de frentes de pavimentação e drenagem no Jardim Anache e Complexo José Tavares, região do Bairro Nova Lima e recapeamento (com drenagem) da avenida Bandeirantes. No Santa Luzia, junto com a drenagem e pavimentação, está previsto um piscinão.

(Com assessoria)