Prepare-se: mais um fim do mundo está a caminho

Prepare-se: mais um fim do mundo está a caminho

18/09/2017 0 Por Humberto Marques

Numerólogo afirma que chegada de Nibiru, e o consequente fim do mundo, foi antecipada para 23 de setembro. Já pensou no que você vai fazer até lá?

O alerta partiu do numerólogo britânico David Meade: em 23 de setembro, o planeta Nibiru vai colidir com a Terra. Será o fim de tudo o que conhecemos como casa, família, trabalho, diversão, sofrimento, vida. O fim do mundo previsto pelo autor de “Planet X: the 2017 arrival” foi antecipado em cerca de uma semana, sendo mais uma teoria cataclísmica que assola a humanidade nos últimos anos.

Mas calma: apesar da segurança de Meale –desconhecido por muitas pessoas– em afirmar sua crença, a Nasa (Agência Especial Norte-Americana) nega o fim do mundo para os próximos dias. A organização deixa claro que, ao menos por enquanto, nenhum planeta, cometa ou asteroide de grandes proporções têm previsão de colisão direta com nosso planeta.

A Nasa sequer reconhece a existência de Nibiru –um corpo celeste que teria quatro vezes o tamanho da Terra e que surgiu para o mundo com esse nome a partiu do livro “O 12º Planeta”, do escritor azeri Zacheria Sitchin (1920-2010), que pegou emprestado o nome de um esquecido deus sumério para sua teoria, na qual reinterpretou manuscritos da Mesopotâmia para cravar a chegada do fim do mundo.

A Nasa sequer reconhece a existência de Nibiru –um corpo celeste que teria quatro vezes o tamanho da Terra e que surgiu para o mundo com esse nome a partiu do livro “O 12º Planeta”

Em 1995, a obra de Sitchin foi usada para sustentar a primeira grande teoria do fim do mundo, alegando-se que um grande corpo celeste estava a caminho da Terra e devastaria o nosso Pálido Ponto Azul. Conforme os teóricos do juízo final, uma hecatombe aconteceria em 1997, na carona do cometa Hale-Bopp –que seria “um artifício das autoridades” para disfarçar a chegada de Nibiru.

Nem é preciso dizer que tal teoria não se sustentou. Tampouco em 2003, ano para o qual os profetas do apocalipse remarcaram o fim do mundo. Pulando inclusive o ano 2000 com o seu bug do milênio, e ignorando todas as teorias do fim do mundo que vieram desde então.


Teoria de numerólogo britânico prevê que o fim do mundo será em 23 de setembro, com a colisão de Nibiru com a Terra. (Imagem: Reprodução)

Teoria de numerólogo britânico prevê que o fim do mundo será em 23 de setembro, com a colisão de Nibiru com a Terra. (Imagem: Reprodução)

Nada para impressionar: praticamente desde sempre, a partir do momento em que o homem descobriu que pensava surge alguém prevendo que o mundo vai acabar. Sumérios, maias… as populações antigas construíam calendários que, quando chegavam ao fim, abriam margens para o fim do mundo –o maia causou sustos até recentemente, aliás.

A própria teoria de Meade é calçada em coincidências numéricas relacionadas ao número 33 –número de dias no qual a lua “fica negra”, que o Elohim (um dos nomes de Deus) ou o fato de o grande eclipse registrado em 21 de agosto nos Estados Unidos ter começado pelo Oregon, o 33º Estado daquele país. A matemática é apocalíptica, podem dizer alguns.

Contudo, deixemos de lado os exercícios apocalípticos prevendo quando ou como o mundo vai acabar e faça a si mesmo essa pergunta: o que você faria se o fim do mundo estivesse mesmo chegando?

Contudo, deixemos de lado os exercícios apocalípticos prevendo quando ou como o mundo vai acabar e faça a si mesmo essa pergunta: o que você faria se o fim do mundo estivesse mesmo chegando?

A possibilidade já fundamentou outro sem número de obras ficcionais na literatura, música, teatro e cinema. Em geral, apontando a trajetória de alguma pessoa em busca da salvação individual ou coletiva ou de pessoas buscando a paz no coração em meio ao caos.

Confesso que a possibilidade de tentar fazer um mundo melhor, mesmo que em seus últimos instantes, é tranquilizadora. Talvez por dúvidas a respeito de nossa trajetória até aqui, em uma realidade na qual já vivemos uma espécie de fim do mundo. Senão vejamos: ameaças constantes de guerra, multidões expulsas de seus países, intolerância religiosa, fome, miséria, medo…

Tentemos olhar então um pouco mais próximo de nós: corrupção desenfreada que dilapida o patrimônio coletivo, uso do bem público para fins individuais, enriquecimento de poucos às custas do trabalho dos impostos e taxas pagos por muitos. Latrocínios, racismo, tráfico de drogas…

É fato, estamos tão habituados a viver em meio ao fim do mundo que as poucas iniciativas que vemos para tentar salvar a ele –e a nós– parecem inócuas. Então, por que não mudar esse cenário?

É fato, estamos tão habituados a viver em meio ao fim do mundo que as poucas iniciativas que vemos para tentar salvar a ele –e a nós– parecem inócuas. Então, por que não mudar esse cenário?

Talvez não tenhamos hoje a possibilidade de impedir Nibiru, Hercolubus, o Planeta X, um meteoro ou qualquer ameaça que venha dos céus, apenas para citar algo que consideramos impossível acontecer. Porém, o fim do mundo real, esse que vem das nossas atitudes, do nosso “conjunto da obra”, poderia ser ao menos mitigado. Senão por todos, ao menos por aqueles que nos são caros –incluindo nós mesmos.

É lugar-comum enumerar diversas atitudes que poderíamos ter que tornaria este um mundo que vale a pena salvar, desde o já batido “ajudar ao próximo” até atitudes mais conscientes, por exemplo, na hora de escolhermos nossos representantes com base no que podem de fato fazer, e não buscando o menos pior em um cenário de roubo e sujeira ilustrado diariamente no noticiário político.

Infelizmente preferimos deixar de lado essa mudança, por comodismo ou desilusão. Atitudes que, pouco a pouco, permitem que o fim do mundo continue a crescer. A devastação é previsível quando perdemos a fé em quem está ao nosso redor. Quando deixamos de acreditar em nós mesmos, ela é inevitável.

Será que podemos evitar o fim do mundo?