Preso no Aero Rancho acusado de executar jovem que desapareceu em fevereiro no Zé Pereira

Preso no Aero Rancho acusado de executar jovem que desapareceu em fevereiro no Zé Pereira

11/03/2018 0 Por Humberto Marques

Gabriel Rondon da Silva, o BMW, teria confessado à Polícia Civil participação no assassinato de John Hudson dos Santos Marques, que desapareceu em 14 de fevereiro no Zé Pereira. Crime teria sido encomendado por conta do suposto envolvimento da vítima com o Comando Vermelho.

Gabriel Rondon da Silva, 19, foi preso por policiais civis em Campo Grande sob acusação de participação na execução de John Hudson dos Santos Marques, 27, o “John John”, em crime inicialmente registrado como desaparecimento no Zé Pereira (Imbirussu) mas que culminou em apuração sobre um novo episódio da guerra de facções em Mato Grosso do Sul. O acusado foi encontrado no Aero Rancho (Anhanduizinho) em investigação que também resultou em flagrante por tráfico de drogas e associação criminosa, entre outras acusações.

A morte de John John era data como certa pelas autoridades desde seu desparecimento em 14 de fevereiro, quando foi visto pela última vez ao sair de casa para fumar. Uma foto de seu corpo decapitado foi enviada aos familiares dias depois.

A prisão de Gabriel ocorreu por volta das 17h30 de sexta-feira (9), segundo informações do boletim de ocorrência, em uma residência no cruzamento das ruas Gruta do Maquiné e Bongiovane. Gabriel, vulgo “BMW”, era apontado como um dos autores do assassinato de John John, sendo avistado pela equipe da Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Piratininga.

Em abordagem, ele admitiu saber que havia contra si mandado de prisão em aberto pelo assassinato de John e acabou autorizando a entrada dos policiais na residência, usada como esconderijo. Dentro do imóvel foi encontrada uma sacola com 87 porções cortadas e embaladas análogas à maconha e 4 similares a cocaína em pó.

Suspeito revelou que arma usada para matar John John foi escondida em barraco no Mário Covas

O acusado assumiu a propriedade da droga e também a participação no homicídio, apontando onde estaria uma das armas usadas no assassinato: em um barraco na esquina das ruas Betoia e Valci Ribeiro Soares, no Mário Covas (Anhanduizinho).


Neste endereço foi apreendido um revólver calibre .38, sem munição, além de uma sacola preta com meio tijolo de pasta-base de cocaína e 17 porções de maconha, três balanças de precisão, cinco telefones celulares e uma faca usada para cortar a droga. O imóvel também teria um esconderijo no solo que seria usado para esconder drogas e armas de uma facção criminosa.

Preso, acusado deu detalhes sobre o assassinato de rapaz desaparecido no Zé Pereira

Questionado pelas autoridades, Gabriel afirmou que trabalhava para um indivíduo que estava preso e conhecido apenas como “Edinho”, para quem venderia a droga. Além disso, deu detalhes sobre o assassinato de John John, que segundo ele, teria sido cometido ao lado de pelo menos mais 7 pessoas e teria como objetivo eliminar um integrante do CV (Comando Vermelho).

Ele acusou a participação de Wellington Felipe dos Santos Silva, o “Piranha”, e de Leandro Caio dos Santos Costa, o “Apolo”, bem como de duas pessoas apelidadas de “Sincero” e “Coringa”. Estes três últimos, ao lado de BMW, teriam sido encarregados de sequestrar John e o levar até o local de cárcere arrumado por Maycon Ferreira dos Santos, o “Di Menor”.

Uma ligação vinda de um presídio teria dado a ordem para a execução de John, suspeito de pertencer ao Comando Vermelho. No local escolhido, ainda foram apontadas as presenças de Igor Antonio Santos Lima, o “Bugre” e de Renata Palmeira dos Santos. Também haveria outras pessoas no local, que não foram identificadas.

Após horas de interrogatório, decidiu-se pelo assassinato de John John. A execução teria contado com a participação de Gabriel, Piranha, Coringa, Apolo e Sincero, que seguiram para uma estrada vicinal na rua Planalto Verde, entre o Indubrasil (Imbirussu) e a região da divisa com Terenos, onde o crime foi cometido.

Após matarem a vítima a tiros, os autores decapitaram o corpo com uma faca. Em buscas no local, um morador da região relatou o achado do cadáver e o fato de ter acionado a Polícia de Terenos por volta das 8h de 22 de fevereiro –oito dias depois de John ter sido visto pela última vez.

Além dos detalhes deste crime, Gabriel ainda acusou Apolo de participação no assassinato de Mauro Éder Araújo Pereira, o “Fininho” –que entre maio (mês de seu desaparecimento) e julho de 2017 teria sido julgado por um “tribunal do crime” sob ordens do PCC (Primeiro Comando da Capital). A suspeita era de que ele estava passando informações ao CV.

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